A IDADE E OS PRECONCEITOS
Impera em certas áreas do serviço público a idéia, preconceituosa, segundo a qual as pessoas com setenta anos ou mais não servem para o desempenho de funções relevantes.
Não é uma postura que revela perspicácia ou inteligência.
Na verdade evidencia carência de sabedoria propagar, por exemplo, que uma pessoa com setenta anos pode ser Presidente da República mas não pode ser Juiz do Tribunal de Impostos e Taxas.
A idade não qualifica ou desqualifica o ser humano a não ser para o exercício de tarefas que demandem força física. Talvez daí exsurja o conceito de que a força é que determina a capacidade das pessoas. Quem pensa assim não se alicerça no discernimento e na experiência porque busca arrimo na truculência, ainda que mental, como razão determinante de sua conduta.
Essas ponderações vêm a propósito de notícias, disseminadas à boca pequena, reveladoras de que determinado projeto de lei, concernente ao Contencioso Administrativo Tributário, no âmbito da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, traria expressa a vedação de candidatos ao cargo de Juiz daquele colegiado que tenham setenta anos ou mais.
Esse pensar resulta de distorção na tangência do assunto.
Como a aposentadoria de funcionários públicos se dá compulsoriamente quando do atingimento daquela idade, infere-se que a aposentação é uma forma de invalidez, o que não é verdade absolutamente.
A questão da aposentadoria se atrela à necessidade de abertura de quadros no funcionalismo e nada tem a ver com incapacitação.
O transcorrer do tempo geralmente resulta no advir de conhecimentos em razão das vivências, e se vivencia mais quanto mais o tempo é transcorrido.
O alijamento de pessoas mais idosas do seio da sociedade e das atividades produtivas deriva de julgamentos parcialíssimos sem arrimo na aferição da realidade, feitos por eventuais detentores temporários do poder, apegados à juventude que julgam eterna.
É um grande erro.
Como disse Thomas Jefferson (“O Pensamento Vivo de Jefferson”) “Cada homem está no dever natural de contribuir para as necessidades da sociedade; e isso é tudo a que as leis deveriam obrigá-lo; e não tendo homem algum o direito de ser juiz entre ele próprio e outrem, é seu dever natural submeter-se ao arbitramento de uma terceira pessoa imparcial”.
Talvez por isso é que H. Balzac tenha escrito: “A juventude não se atreve a contemplar-se no espelho da consciência, quando se inclina para o lado da injustiça, ao passo que a maturidade já se mirou em tal espelho” (in – Papai Goriot).
Para muitos a velhice marca o fim das esperanças e das alegrias. Para outros é a melhor parte da vida.
Verdadeiramente sábio e capacitado é aquele que escolhe as pessoas segundo suas características de conformidade com o labor a ser executado.
Há coisas que somente os jovens podem fazer com excelência; há outras que não podem ser realizadas por eles. Assim como há o dia e a noite, há o que ser feito pelos jovens e meãos e o que somente os velhos fazem melhor, como julgar, por exemplo, como nos ensina a História.
Henry W. Longfellow sintetiza o que quero dizer: “A velhice tem suas vantagens que não são inferiores às das juventude, ainda que se nos apresentem com outra aparência: assim como a luz do crepúsculo se dissipa, o céu se cobre de estrelas, invisíveis durante o dia.”
É tempo de corrigir os tentames prepotentes.
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Uma resposta para “ A IDADE E OS PRECONCEITOS ”
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Já pertenço à maturidade ou seja ultrapassei a faixa dos 50 anos. Março passado me aposentei pelo Tribunal de Justiça do RS, mas percebí que embora algumas pessoas me dissessem que estava “nova ainda!” para isso, não havia qualquer sinal de que seria uma pessoa pronta para nova labuta.
Percebi, também, que as oportunidades de trabalho para quem se aposenta são imensamente difíceis e não por força de fazer-se novos concursos… não! pelo simples fato de que o Ser Humano os coloca na estrada do fim e não quer vê-lo ao seu lado para que não lhe peça ajuda.
Infelizmente é assim.
Temos juristas brilhantes, arquitetos fenomenais, escritores com todo gás que ainda se encontram participativos na sociedade, mas sabes por quê? porque fez um nome, fez uma história própria que não precisa de ajuda de ninguém para se manter lá e ninguém o tirar!
O caminho às vésperas da aposentadoria é todo sonhos:
- vou viajar
- vou trabalhar por conta própria
- vou comprar meu imóvel
- vou ser feliz agora !
E o que acontece?
- O mercado de trabalho não o acolhe;
- a casa própria não lhe permitem comprar com idade;
- para as viagens o dinheiro é curto;
Então, quando caímos na aposentadoria é buscar alternativas muito aquém do imaginado. Fiques certo disso.
Abraços, Maria Souza - Porto Alegre - RS